18 May 2012

Um ano depois: Lições aprendidas depois do mergulho que está mudando minha vida

Este post já estava sendo pensado há quase 1 mês. O bom de escrever aqui tudo que acho importante na minha vida profissional é que fica fácil rastrear quando histórias passadas foram escritas e parar para uma retrospectiva. 

Exatamente 1 ano atrás tomei a decisão mais importante da minha vida profissional até então. Decidi, depois de pensar até demais, embarcar numa aventura chamada empreendedorismo. Mais do que criar um novo negócio, me desafiei a criar um novo profissional: apaixonado pelo trabalho, (hiper)ativo, decidido, às vezes um pouco louco e disposto a não poupar energia para escrever uma história que valerá a pena contar para meus netos.

No início dessa semana, comecei um novo capítulo dessa história. Antes de começar a escrevê-lo, queria registrar as 10 coisas que só podem ser feitas de uma única maneira, segundo minhas experiências vividas neste ano que passou. Muitas delas podem estar escritas em outro lugar e eu não tenho o menor interesse em posar de guru, sabe-tudo ou empreendedor de sucesso. Não sou nada disso, acabei de começar ;)

1. Você só lidera pessoas pelo exemplo.

2. Você só aprende algo reconhecendo que você não sabe tudo.

3. Você só cresce aceitando desafios os quais você ainda não se sente preparado.

4. Você só é produtivo no longo prazo sendo apaixonado pelo seu trabalho e mantendo essa paixão viva todos os dias.

5. Você só erra menos reconhecendo os erros que você já cometeu, os que você ainda vai cometer e sempre garantindo de tirar algo positivo deles. De todos eles.

6. Você só constrói algo grande aceitando que você não constrói nada sozinho.

7. Você só é coerente escolhendo valores e princípios para te guiar. Escolha os seus muito bem.

8. Você só supera problemas do dia a dia com muito trabalho.

9. Você só aproveitará as maiores oportunidades dessa vida colocando o retorno financeiro imediato em segundo plano.

10. Você só é feliz aproveitando toda a jornada e sabendo a hora de mudar de rumo.
10 Apr 2012

A velocidade dos negócios na era em que o software engole o mundo

  • 5 de março de 2010: uma empresa chamada Burbn, fundada por Kevin Systrom e Mike Krieger, que prometia "uma nova forma de comunicação e compartilhamento no mundo real", recebe $500 mil dólares de seed money.
  • 6 de outubro de 2010: a Burbn lança a primeira versão pública da sua app para compartilhamento de fotos para o iPhone chamada Instagram.
  • 2 de fevereiro de 2011: a Burbn levanta uma rodada de $7 milhões de dólares de investimento. O valuation da empresa está em torno de $20 milhões de dólares.
  • 14 de fevereiro de 2011: o Instagram atinge a marca de 1 milhão de usuários.
  • 31 de outubro de 2011: o Instagram atinge a marca de 12 milhões de usuários.
  • 3 de abril de 2012: o Instagram passa a marca de 30 milhões de usuários e lança sua primeira versão para a plataforma Android. Apenas nesse dia, foram 2 mil cadastros de novos usuários. Por segundo.
  • 4 de abril de 2012: a Burbn anuncia que, em menos de 24 horas do lançamento, a versão Android do Instagram atingiu a marca de 1 milhão de downloads.
  • 5 de abril de 2012: a Burbn levanta outra rodada de investimento, agora de $50 milhões de dólares. O valuation da empresa está em torno de $500 milhões de dólares.
  • 9 de abril de 2012: o Facebook adquire 100% da Burbn por $1 bilhão de dólares.
  • O Instagram recebe atualmente mais de 5 milhões de fotos por dia.
  • Desde a primeira versão até a data de hoje, o Instagram aumentou sua base em 55 mil novos usuários. Por dia
  • Desde a primeira versão até a data de hoje, a Burbn passou a valer por volta de $1.8 milhões de doláres a mais. Do que no dia anterior.
  • A receita anual do Instagram é de $0.  
  • 10 de abril de 2012: o mundo já não é mais o mesmo.

 

Fontes: CrunchBase e The Next Web

5 Mar 2012

Chile: 2 meses e contando

Hoje, exatamente, completo o segundo mês no Chile. Para os que não sabem, a DeskMetrics foi selecionada para participar do programa de aceleração de startups do governo chileno, o Start-Up Chile e mudamos todos, de mala e cuia, para a linda e fascinante Santiago.

Quero separar este post em duas partes indepentendes: a primeira parte é falar sobre a experiência profissional e a segunda sobre a experiência pessoal. No final, obviamente, uma está conectada à outra.

Profissional

Quando fomos selecionados para vir pra cá, já estávamos com um planejamento de curto prazo razoavelmente bem definido. Nesses primeiros meses aqui estamos terminando de aprimorar nosso produto e eu, que antes estava focado em vendas, estou mergulhando fundo em Python, Django, MongoDB, e outras cositas más

Em outro momento, escrevi sobre a minha retomada profissional, ao decidir voltar de uma vez por todas para o lado de quem suja as mãos com código, atacando três erros que havia cometido. Hoje tenho, mais uma vez, a convicção plena de que a escolha que fiz há 6 anos atrás foi mais que acertada e que construir produtos de software é o que eu realmente gosto de fazer. De verdade, mesmo tendo um pouco mais de 2 anos de formado, me sinto realizado profissionalmente. Não por que fiquei rico ou por que construí uma empresa de sucesso. Simplesmente por que sei que a base que estou construindo está se tornando sólida o suficiente para me levar onde meu empenho, esforço, suor e trabalho permitirem. 

Isso é o que verdadeiramente importa e é o que dura mais tempo.

Aqui no Start-Up Chile estou tendo a oportunidade de ouvir e conversar diariamente com algumas das mentes mais brilhantes do mundo. Realmente o programa tem a força de colocar muitas pessoas excelentes juntas. E isso é fantástico! O impacto disso só será sentido daqui algum tempo e, parafraseando Einstein, "uma mente que se abre ao mundo jamais volta ao seu tamanho original".

O contato pessoal direto é tão intenso e diversificado que os pontos não tão positivos e burocráticos são diminuídos a ponto de serem quase esquecidos. Tornam-se irrelevantes.

Pessoal

Há quase um ano larguei um emprego razoavelmente bom para desbravar, na prática, o mundo do empreendedorismo. Prototipei um negócio legal junto com um amigo e não levei adiante naquele momento. Depois me juntei ao time da DeskMetrics e, desde então, tenho experimentado os melhores dias da minha vida, profissional e pessoalmente. 

A decisão repentina de largar meu último emprego assustou toda minha família, já que tinha apenas 25 dias que havia começado a trabalhar na empresa anterior. Já estava planejando essa mudança há um ano e ela já tinha data certa: Janeiro de 2012. Com toda a certeza, se não tivesse jogado meus planos fora, não estaria aqui hoje escrevendo esse post.

E por que alguém como eu, que aprendeu a tomar decisões de uma maneira nada passional, avaliando bem, beirando o conservadorismo, jogou seus planos fora dessa maneira tão repentina? Joguei meus planos fora quando uma tragédia pegou toda minha família de surpresa: a perda tão rápida quanto prematura de um primo jovem e cheio de planos. Com isso aprendi que na vida não podemos esperar muito tempo para realizar nossos sonhos porque, por alguma razão que não compreendemos e não aceitamos, a vida pode acabar em poucas horas. Hoje, além das boas lembranças e da saudade, sou grato por essa última lição que ele me deixou.

Sair de casa pela primeira vez não é fácil. Abrir mão de algumas muitas coisas, adaptar a uma realidade totalmente diferente do que você já viu é difícil. Muito difícil. E você não tem escolha. Em contrapartida, você é forçado a amadurecer rápido e, no final, você tem o mais importante: histórias para contar. E como já temos histórias ;)

Esses dias fiquei lembrando de quando, no 1º ano do 2º grau, meus pais insistiram para que eu fizesse um intercâmbio, e eu, rejeitei a ideia sem pensar muito. Talvez por medo, talvez por imaturidade ou, certamente, por uma mistura dos dois. Depois, no meio da faculdade, bateu um certo arrependimento.

Hoje, minha resposta é mais simples: tinha que ser agora. Tinha que ser no Chile!

a story for tomorrow. from gnarly bay productions, Inc. on Vimeo.

(Já assisti este vídeo sete vezes e recomendo que você assista, pelo menos, duas)

17 Feb 2012

A verdadeira vantagem competitiva do Facebook

Nos últimos dias, o Facebook confirmou os rumores e iniciou o processo para sua abertura de capital. A notícia, prevista para o ano passado, não pegou ninguém de surpresa. Além disso, o possível valuation entre US$ 75 e US$ 100 bilhões, também não é nada absurdo, se tratando da rede social com 845 milhões de usuários (dados de Dezembro de 2011) e faturamento na casa dos US$ 4 bilhões anuais.

Mas este post não é sobre os números impressionantes da empresa fundada por Mark Zuckerberg. Este post é sobre o que, na carta escrita por ele, endereçada aos potenciais investidores, foi chamado de "O Jeito Hacker" (The Hacker Way).

Vou tentar traduzir mas recomendo a leitura inteira, do original ;)

Como parte de construir uma empresa forte, nós trabalhamos muito para fazer do Facebook o melhor lugar para as melhores pessoas terem um grande impacto no mundo e aprender com outras pessoas igualmente excelentes. Temos cultivado uma cultura única e um modelo de gerenciamento que chamamos, internamente, "O Jeito Hacker".

O termo hacker tem sido injustamente utilizado pela mídia para se referir às pessoas que quebram sistemas e computadores. Na realidade, hacking apenas significa construir alguma coisa rapidamente ou testar os limites do que pode ser feito. Como quase tudo, isso pode ser usado para o bem ou para o mal, mas a maioria dos hackers que conheço tendem a ser pessoas idealistas que querem ter um impacto positivo no mundo.

"O Jeito Hacker" é uma abordagem de construção que envolve melhoria contínua e iterações. Hackers acreditam que qualquer coisa pode ser sempre melhor e que nada está sempre concluído. Eles só vão lá para corrigir - geralmente na cara das pessoas que disseram ser impossível ou que se contentam com o status quo.

Hackers tentam construir os melhores serviços no longo prazo lançando rapidamente e aprendendo mais com as iterações menores do que tentando acertar tudo de uma única vez. Para apoiar isso, nós construímos um framework de testes que em um determinado momento pode testar milhares de versões diferentes do Facebook. Nós temos a frase "Feito é melhor que perfeito" pintada nas paredes do nosso escritório para nos lembrar de estarmos sempre entregando.

Hacking também é, inerentemente, uma disciplina ativa e de "mão na massa". Ao invés de debater por dias se uma nova ideia é possível ou qual é a melhor maneira de construir alguma coisa, hackers preferem apenas prototipar alguma coisa e ver se funciona. Existe um mantra que você escutará muito nos nossos escritórios: "Código ganha argumentos".

A cultura hacker também é extremamente aberta e meritocrática. Hackers acreditam que a melhor ideia e a melhor implementação devem vencer sempre - não a pessoa que fez o melhor lobby pela ideia ou a pessoa que gerencia a maioria das outras pessoas.

Para encorajar essa abordagem, a cada poucos meses nós fazemos um hackathon, onde todos constroem protótipos para as novas ideias que tiveram. No final, todo o time se junta e olha tudo o que foi produzido. Muitos dos nossos produtos de sucesso saíram dos hackathons, inclusive a Linha do Tempo, o bate-papo, o suporte a vídeos, nosso framework de desenvolvimento móvel e algumas das ferramentas de infraestrutura como o compilador HipHop.

Para garantir que todos os nossos engenheiros compartilham dessa visão exigimos que todos os novos contratados - até mesmo gerentes cuja responsabilidade principal não é escrever código - vão ao programa chamado Bootcamp, onde eles aprendem nossa base de código, nossas ferramentas e nossa abordagem. Existe um monte de gente no mercado que gerencia engenheiros e que não quer colocar a mão no código, mas as pessoas "mão na massa" que procuramos estão dispostas e são capazes de passar pelo Bootcamp.

Os exemplos acima são todos relacionados com engenharia mas nós condensamos esses princípios em cinco valores principais para direcionar como rodamos o Facebook:

Foco no Impacto

Se queremos ter o maior impacto possível a melhor maneira de fazer isso é garantir que estamos sempre focados em resolver os problemas mais importantes. Soa simples mas nós achamos que a maior parte das empresas fazem isso de maneira pobre e perdem muito tempo. Esperamos que todos no Facebook sejam bons em encontrar os maiores problemas para trabalharem.

Mova-se Rápido

Nos movendo rapidamente, estamos aptos a construir mais coisas e aprender mais rápido. Entretanto, como a maior parte das empresas crescem, elas vão se tornando lentas porque estão com mais medo de cometerem erros do que de perderem oportunidades por se moverem tão devagar. Temos uma frase: "Mova-se rápido e quebre as coisas". A ideia é que se você nunca quebrar nada provavelmente não está se movendo rápido o suficiente.

Seja Ousado

Construir coisas grandiosas significa correr riscos. Isso pode ser assustador e impede que a maior parte das empresas façam coisas ousadas como deveriam. O ponto é, em um mundo que muda tão depressa você seguramente irá fracassar se você não correr nenhum risco. Temos uma outra frase: "Não há nada mais arriscado do que não correr risco algum". Nós incentivamos todo mundo a tomar decisões ousadas, mesmo que isso signifique estar errado algumas vezes.

Seja Aberto

Acreditamos que um mundo mais aberto é um mundo melhor porque pessoas com mais informação podem tomar melhores decisões e podem ter maior impacto. Isso também vale para a forma que giramos nossa empresa. Trabalhamos duro para garantir que todos no Facebook tenham acesso a maior quantidade de informação possível sobre cada parte da empresa, assim eles podem tomar as melhores decisões e terem o maior impacto.

Construa Valor Social

Mais uma vez, o Facebook existe para tornar o mundo mais aberto e conectado, não apenas para construir uma empresa. Nós esperamos que todos no Facebook foquem todos os dias em como construir valor de verdade para o mundo em tudo aquilo que eles fazem.

Para terminar, outro trecho da carta do Zuckerberg:

A maioria das pessoas diferenciadas se preocupam, antes de tudo, em construir e fazer parte de coisas diferenciadas mas também querem ganhar dinheiro. Durante o processo de construir um time - e também construir uma comunidade de desenvolvedores, um mercado de anúncios e uma base de investidores - eu desenvolvi uma profunda valorização de como construir uma empresa forte, com uma máquina econômica forte e com um crescimento forte pode ser a melhor forma de alinhar muitas pessoas para resolver problemas importantes.

Simplificando: nós não desenvolvemos serviços para ganhar dinheiro. Nós ganhamos dinheiro para construir serviços melhores.

Que lição! O cara tem 27 anos e sabe muito mais do que muito guru de gestão e empreendedorismo de cabelo branco. 

9 Dec 2011

Sobre tendências, parte 2

Há mais de um ano fiz um post bem mais ou menos sobre essa mania que temos de ficar tentando adivinhar o futuro, quase sempre nos esquecendo de premissas básicas. Eu mesmo, contraditoriamente, no final do ano passado, fiz uma lista de previsões para este ano, pura brincadeira.

Não sou contra manifestações pessoais à la Mãe Dinah, é divertido ler o que você achava que ia acontecer no futuro. O grande problema, ponto central desse post, é levar esses chutes, muitas vezes dados com interesses duvidosos, para o público. Isso é especialmente irrelevante na área de tecnologia, que é, cada vez mais, imprevisível. Há 5 anos atrás, quase não existia serviços de computação nas nuvens. Hoje, ao contrário do que grupos de mídia "especializados" publicam, cloud computing não é nenhuma tendência, é realidade. Há 5 anos atrás, o iPhone estava pra ser lançado. Hoje, o iPad é tido como o gadget que vai acabar com PCs, com o Desktop, com a Microsoft, a Dell e a HP. A tal Web 2.0, que engatinhava há 5 anos atrás, hoje vai aniquilar, a curto prazo, os Sistemas Operacionais.

É engraçado, tudo que não existia há 5 anos atrás e sequer foi previso pelos gurus, vai, como num passe de mágica, acabar com tudo que está aí há mais de 20 anos.

O ponto não é ser conservador ou retrógrado. É apenas aprender com os erros do passado. Os combustíveis de todas as "tendências" atuais estavam fora do radar de todos os gurus, por que agora as previsões estariam certas? Por que ficar lendo esse vapor todo vai te ajudar?

Para agravar, uma parte da mídia brasileira, presta um verdadeiro desserviço à população local. Pegam o que sai nos EUA e traduz para o Brasil. Como se nossa realidade fosse a mesma, os problemas fossem os mesmos, as oportunidades fossem as mesmas.

Falando de tecnologia, lá nos EUA, o iPad é muito mais barato, a população tem acesso à Internet de alta velocidade a preços razoáveis. Aqui no Brasil, segundo a pesquisa TIC Domicílios 2010, 47% da população brasileira nunca acessou a Internet, já excluída a parcela da população que vive em áreas rurais. Aqui, 97,78% dos internautas, não sabem que a Microsoft, a AOL, ou qualquer outro provedor jamais irá pagar alguns centavos de dólar a cada e-mail enviado. Aqui, as pessoas precisam descobrir o poder (para o bem) das redes sociais.

Ah! E o que que tem isso demais? Acontece que somos, historicamente, carentes de senso crítico. Muitos preferem aceitar, sem nenhum filtro de sensatez, o que é espalhado por aí. Uma leva de cabeças-de-bagre continuarão sendo mal informados, atrasando, ainda mais, nosso desenvolvimento.

Vamos parar pra pensar minha gente. Vamos discutir melhor as nossas questões.

21 Jul 2011

Nem sempre é questão de estar certo ou errado

Há tempos venho pensando sobre uma pergunta que passei a me fazer depois que decidi largar minha vida típica de funcionário: Será que a decisão que tomei foi entre o certo e o errado? Entre o legal e o chato?

Hoje, depois de muito refletir, tenho a minha resposta formada: NÃO.

Desde pequeno, somos acostumados a levar todas as questões para o lado excludente da coisa, em que um está certo, e o outro está errado. Como um jogo de soma zero ou como as máquinas eletrônicas funcionam, com apenas dois estados, o ligado ou o desligado.

Acontece que nem todas as respostas são tão fáceis assim. Muitas vezes a resposta certa realmente é depende. E isso nada tem a ver com ficar em cima do muro, apenas que nem sempre é questão de estar certo ou errado.

Empreender ou não empreender?

Passados exatos dois meses desde que tomei a decisão de largar um bom emprego para me dedicar ao propósito de empreender de fato, com tudo aquilo a que se tem direito (inclusive a parte que não sai em revista), por várias vezes me deparei na situação de tentar explicar para as pessoas os motivos da minha decisão. Alguns, principalmente os mais velhos, ou os que estão distantes do mercado de tecnologia, acharam que eu tinha perdido o juízo. Outros me encararam como um exemplo a ser seguido, do herói, do bem sucedido, da historinha que a gente se acostumou a ver na TV. Nesse caso, ambos estavam errados.

Erraram por dois motivos:

1. Empreender não significa chutar o balde no emprego, parar de trabalhar e sair por aí fazendo qualquer coisa que dá na telha. É apenas uma alternativa, cada vez mais viável, de carreira. E é bom que se diga de uma vez, existem grandes empreendedores dentro de algumas empresas que permitem uma postura empreendedora de fato. E quem disser que não é radical demais para se levar um papo agradável.

2. Empreender não significa que você está acima dos demais, não é casta. Por falar em sucesso, não deixe de ler o discurso do Nizan Guanaes, publicado no blog do Bernardo Porto. Foi deste texto que li a melhor definição para o sucesso: "só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama sucesso." E acredite, o trabalho será ainda mais duro e, muitas vezes, sem nenhuma pompa.

Então, o que foi que eu fiz? Hoje posso errar mais do que amanhã. Acredito que o melhor momento para arriscar tudo é quando ainda se tem pouco. Isso não é covardia nem excesso de conservadorismo, é ser prático. Além disso, o mercado de hoje nunca esteve tão favorável e preciso muito ter a experiência real, imediata, aquela que nenhum livro, revista ou vídeo no YouTube pode te dar.

Isso vale para todo mundo? Mais uma vez, NÃO.

O segredo é que o poder da escolha será sempre só seu, e não invente desculpas para isso. E aceite, em alguns momentos, você não estará nem certo, nem errado.

18 May 2011

A hora é agora!

Pessoal,

Como alguns já podem ter visto no Twitter e no LinkedIn, essa semana marca, oficialmente, o início da minha jornada empreendedora.

Há 4 anos fui apresentado ao tema e desde então venho nutrindo uma vontade absurda de empreender. Já criei várias desculpas do tipo "ah!, vou formar primeiro", "ah!, vou juntar dinheiro", "ah!, etc.." e já perdi oportunidades pelo excesso de comodismo e por esperar cair uma oportunidade do céu, sem risco, mantendo meu conforto.

Aprendi que assim não rola. Se queria ser um empreendedor deveria saber disso antes.

Para mim, empreendedorismo se tornou mais do que a vontade de ser dono do próprio negócio. Aos poucos, virou um propósito de vida. Sou apaixonado pelo que faço, conceber e construir produtos de software é minha profissão e meu hobby. É o que quero fazer pelo resto da vida!

Por que não canalizar toda essa energia, entusiasmo e experiência que adquiri nos últimos anos? A hora é agora!

Também não podia deixar de registrar meus agradecimentos.

  • Ao pessoal do Saia do Lugar e do Empreendecast. Vocês me ajudaram a enxergar que o empreendedorismo é um caminho viável e que tem tudo para ser extremamente gratificador. Fontes primárias de inspiração e conhecimento.
  • À galera do Hora Extra de Belo Horizonte. Há mais de dois meses faço parte de uma comunidade de amigos de TI que resolveram, mesmo sem se conhecerem previamente, alavancar o aprendizado contínuo e a troca de experiências. Conto com vocês da mesma forma que vocês podem contar comigo! Aqui é importante lembrar também do pessoal do Rio de Janeiro que começou com essa história toda.
    • Agradecimento especial ao Henrique Bastos que, além de despertar meu interesse por Python/Django, me ensinou a importância das comunidades. O curso Welcome to the Django tem tudo a ver com toda essa mudança na minha vida profissional.
14 Apr 2011

Sobre comunidades

Durante o mês de fevereiro fiz um curso de Python e Django com o mestre Henrique Bastos. Mais do que aprender duas ferramentas fantásticas para desenvolvimento web e entender melhor algumas práticas ágeis até então não muito claras para minha cabeça, o curso me ensinou a importância das comunidades.

Há um pouco mais de um mês tuitei sobre minha vontade de juntar uma galera de BH que gosta de conversar sobre TI, e a partir dela enveredar para os mais diversos temas, numa boa mesa de boteco, da mesma forma como o pessoal do Rio de Janeiro já faz há um bom tempo com enorme sucesso: #horaextra

Em pouco menos de uma semana já estávamos com um grupo formado e com o pessoal discutindo como tirar a ideia do papel rapidamente. A divulgação no Twitter foi rápida como teclar 140 caracteres e, no momento em que escrevo esse post, temos 56 pessoas cadastradas no Groups do @horaextrabh. Se você ainda não está lá, sinta-se convidado a participar.

De lá pra cá, no melhor estilo small acts mineirinho, já fizemos dois encontros e o terceiro já está marcado para a próxima semana ;)

E então, o que já deu pra perceber sobre comunidades espontâneas que surgem a partir de iniciativas como o #horaextra e como isso é muito bom:

1. Todos são parecidos com você

É impressionante. Mesmo sendo um movimento aberto à todos nossa (ainda) pequena comunidade é feita de pessoas que possuem os mesmos interesses, os mesmos questionamentos e a mesma vontade de aprender com os outros e ser melhor dia após dia. Isso não quer dizer que não temos discussões mais acaloradas, opiniões divergentes. Quer dizer que todos nós temos o mesmo objetivo: criar um ambiente saudável de discussão, aberto e nivelado por cima.

2. Todos se parecem amigos de longa data, ou quase isso

No último encontro parei um momento para observar a interação da galera. Não parecia que cada participante sentado ali desconhecia, pelo menos, a metade do pessoal com quem conversava. A partir do dia zero a comunicação já é 100% aberta e franca. Difícil observar isso em outros ambientes.

3. Todos estão dispostos a fazer hora extra com você de graça

Tudo bem que é uma hora extra regada a cerveja e tira-gosto mas todos ali não me pareceram entediados em discutir "problemas do trabalho" depois do "expediente". Por quê? Talvez a resposta mais curta seja pelo fato de que todos ali gostam do seu trabalho ou, em última instância, do mercado que escolheram trabalhar. O trabalho não é uma mera obrigação insuportável para pagar as contas no final do mês como, infelizmente, muitos pensam. Não tem mimimi.

4. Todos entendem o poder da contato pessoal offline

Em um mundo com Twitter, Skype, Gtalk, Messenger, E-mail e Facebook era de se esperar que os profissionais e amantes de tecnologia usassem apenas esses aparatos tecnológicos para manter contato com seus pares. Errado, na nossa comunidade as pessoas reconhecem o valor do contato pessoal direto, a forma mais eficiente de comunicação já inventada.

5. Todos sabem que dali algo maior pode surgir a qualquer momento

Em uma comunidade com as características acima ninguém pode ousar dizer quando algo maior (novas empresas, oportunidades de empregos, parcerias de negócios, iniciativas educacionais, eventos, etc) surgirá. O certo é que o ambiente é extremamente favorável para que isso ocorra de maneira natural e auto-sustentada.

Valeu galera do @horaextrabh. Valeu moçada do @horaextrario pelo apoio e incentivo. #smallacts

17 Mar 2011

E se você fosse a sua empresa?

Há quase quatro anos fui apresentado ao fascinante mundo do empreendedorismo. De lá para cá venho me debatendo na tentativa de mudar o mindset de funcionário, dentre outros a aversão ao risco (financeiro, pessoal, etc). Não é fácil mudar, confesso.

Entretanto esses dias estava pensando: antes de tocar uma empresa o meu primeiro empreendimento sou eu mesmo. Como assim?

Nossa carreira também pode ser vista como uma organização. É claro que com algumas diferenças bem significativas, mas o que é importante nessa comparação é forçar com que o zelo típico que os melhores empreendedores têm com suas empresas seja também aplicado à carreira do aspirante empreendedor ou de qualquer profissional que deseja prosperar.

Como nos clássicos livros de negócios, toda empresa tem sua missão, visão e valores bem definidos. Então vamos fazer isso para nós mesmos.

Missão

Buscar continuamente novas formas de entregar softwares melhores, misturando ciência e arte na medida certa, focado no valor gerado pelo trabalho e percebido pelo cliente.

Visão

Até 2013 ser reconhecido como um profissional de software que alia uma sólida base de conhecimentos formais com a agilidade típica da minha geração, sempre disposto a encarar desafios complexos e experimentar novas formas de entregar software de alta qualidade e grande valor percebido.

Valores

Paixão: Estar envolvido em projetos de software, por definição, já é extremamente gratificante e motivador. Desde os 14 anos jamais passou pela minha cabeça fazer outra coisa profissionalmente que não software.

Aprendizado: A indústria de TI nunca pára. Estar sempre pronto para aprender é fundamental.

Comunicação: É o caminho seguro para alinhar espectativas, clarear o entendimento de um problema e prosperar na confiança mútua.

Inovação: Se existe alguma forma melhor de construir software, ela deve ser aplicada. Ou criada. Continuamente.

Flexibilidade: Para ser ágil é preciso ser flexível. Não podem existem dogmas preestabelecidos e mudar pode ser muito bom.

Simplicidade: "A simplicidade consiste em subtrair o óbvio e acrescentar o significativo". Foco no que realmente importa e gera valor.


À primeira vista se descrever profissionalmente de maneira formal pode ser inflexível e complicado, contrariando meus próprios valores. Mas é justamente o contrário. Primeiro porque essa declaração, assim como nas empresas, deve ser dinâmica e adaptável, capaz de refletir o presente e vislumbrar o futuro próximo. Segundo porque toda vez que você escreve sobre si próprio aprende bastante.

Experimente esse exercício.

4 Mar 2011

Sai de cena o CIO. E entra em cena os novos 4 CIOs

Há duas edições atrás, a revista EXAME já alertava sobre a queda do prestígio dos CIOs (Chief Information Officers), os chefões da TI em uma empresa. Além de perderem o prestígio gradualmente, sendo vistos como negociadores de contratos apenas, os CIOs antigos parecem ter perdido o rumo, e deixaram de desempenhar um papel estratégico nas empresas.

Tenho alguns palpites do por que isso ocorreu, o principal deles é o fato de TI ser cada vez mais um assunto natural nas empresas. TI já não pode ser o típico departamento de TI, daqueles que ainda lembram os velhos CPDs (Centros de Processamento de Dados). Hoje o executivo de TI precisa ser muito mais multidisciplinar.

Pois bem, antes de enterrar os CIOs já tem gente redefinindo o conceito para o cenário atual. Em um paper da Constellation Research, o papel do CIO foi quebrado em quatro personas.

Chief Infrastructure Officer

Esse executivo fará muito do que é esperado de um CIO moderno: reduzir custos de infraestrutura, gerenciar tecnologias legadas e garantir que as operações de TI estejam em ordem. As prioridades: acabar com os shelfwares, aqueles softwares que ficam enconstados nos servidores sem que uma alva viva os utilize, adotar virtualização e tecnologias na nuvem e renegociar contratos.

Chief Integration Officer

Esse executivo será o responsável por conectar os vários sistemas de TI. Uma tarefa fundamental aqui é realizar a ponte entre os sistemas legados e os serviços na nuvem.

Chief Intelligence Officer

O futuro está nos dados. Esse executivo será responsável por pegar os dados certos, das pessoas certas e dos dispositivos certos. As prioridades incluem estabelecer e mensurar os indicadores-chave de desempenho (KPIs), aprimorar a qualidade dos dados e escolher as ferramentas certas de business intelligence e análise.

Chief Inovation Officer

Esses executivos já estão por aí, já que a palavra de ordem nas empresas é inovar. "Inove, ou serás inovado", como diz meu amigo Bernardo Porto. Esses executivos serão responsáveis por identificar tecnologias disruptivas e, principalmente, por encontrar maneiras de aplicá-las no ambiente corporativo.

Fonte: ReadWriteWeb Enterprise

Gustavo Veloso's Space

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